Mercado deve se preparar para juros altos por mais tempo; entenda

A perspectiva de queda da taxa Selic ainda em 2025 vem sendo colocada em xeque por analistas do mercado. Em entrevista ao programa BM&C News, o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, chamou atenção para o que classifica como desalinhamento entre a política fiscal e a política monetária, cenário que torna improvável qualquer movimento consistente de redução dos juros no curto prazo.

Segundo o economista, o Banco Central é pressionado a conter a inflação, enquanto o governo amplia estímulos econômicos sem uma âncora fiscal clara. A combinação de aumento de gastos, renúncia de receitas e falta de credibilidade no arcabouço fiscal cria um ambiente desfavorável à queda da Selic.

Não há como fazer renúncia fiscal e injetar dinheiro na economia sem impactar a inflação. O cenário é de descontrole fiscal, e isso pressiona os juros”, avaliou.

Medidas que estimulam consumo elevam percepção de risco

Entre os fatores que mais preocupam o mercado estão iniciativas como o crédito consignado privado e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Apesar de populares, essas medidas tendem a aumentar o consumo e, consequentemente, pressionar a inflação, especialmente quando não são acompanhadas de cortes compensatórios de gastos ou aumento de receita.

O mérito do reajuste do IR é justo, mas isso ocorre em ano eleitoral, com um arcabouço fiscal que nunca foi crível. Não há controle efetivo das contas públicas”, afirmou Velloni.

Juros embutem prêmio de risco fiscal

Velloni lembra que boa parte da atual taxa de juros no Brasil é formada pelo prêmio de risco fiscal, conhecido como “ticket de risco”. Ou seja, os investidores exigem juros mais altos diante da incerteza sobre a sustentabilidade das contas públicas.

Quanto mais se incentiva o descontrole fiscal, maior a pressão sobre a Selic. A política econômica está indo na direção contrária da responsabilidade”, disse.

Juros não deve cair sem mudança de rumo

Na visão do economista da Frente Corretora, a possibilidade de flexibilização monetária depende diretamente da reconstrução da credibilidade fiscal — algo que, até o momento, não se materializou. Para ele, é pouco crível imaginar cortes na Selic ainda este ano, ou mesmo em 2025, caso o governo mantenha o atual caminho.

Você não consegue cortar juros com risco fiscal fora de controle. Essa expectativa de queda da Selic ainda este ano não é crível”, afirmou.

Volatilidade e incerteza seguirão no radar

Diante desse cenário, Velloni alerta que o mercado seguirá operando com alta volatilidade, precificando prêmios de risco maiores, sobretudo com a aproximação do calendário eleitoral. A indefinição sobre o compromisso do governo com o ajuste fiscal tende a prolongar o ambiente de juros elevados.

“Sem clareza fiscal, o mercado vai continuar incerto, e os juros futuros vão embutir essa percepção de risco”, concluiu.

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