Operação nos EUA e investimento bilionário: empresários se reúnem na Fiesc para buscar soluções

A WEG vai investir R$ 2,6 bilhões em crescimentos este ano. A Duas Rodas iniciará uma operação do zero nos Estados Unidos para driblar as tarifas de exportação de Donald Trump. Na última quinta-feira (27), os líderes das duas empresas catarinenses, hoje potências mundiais, participaram do Fórum Radar, evento da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) para ajudar os empresários catarinenses a pensar estrategicamente sobre os desafios e oportunidades que surgem no dia a dia dos negócios.

evento da Fiesc

Empresários catarinenses falam em evento da Fiesc sobre novos desafios – Foto: Divulgação/ND

Evento da Fiesc reúne empresários para discutir desafios

Entre os temas abordados, liderança, inovação, transformação e Inteligência Artificial. No momento, porém, não se fala em outro assunto: as incertezas geradas pela política tarifária do presidente norte-americano.

Presidente da Fiesc, Mario Cezar Aguiar abriu o evento e destacou que o Radar reúne lideranças industriais catarinenses para discutir o que afeta a indústria do Estado e do Brasil. “Estamos num momento complicado, uma mudança no mercado internacional muito profunda provocada por Trump. Esse é o ambiente próprio para discutir dificuldades, tendências e as oportunidades dessas modificações”, salientou.

Nos últimos anos, a indústria catarinense tem crescido mais que a brasileira. Em 2024, a indústria do Estado cresceu 7,7%, enquanto a média nacional ficou em 3,4%. “É um crescimento robusto, mas nos preocupa o futuro, taxas de juros elevadas, grandes gastos públicos preocupam o setor empresarial, esperamos que se modifique rapidamente para que possamos continuar com crescimento acima da média nacional.”

Diretor de Inovação e Competitividade da Fiesc, José Fiates organizou o evento e disse que o Radar viabiliza o encontro de empresários para que mostrem o que estão fazendo, compartilhem desafios, derrotas, vitórias e encontrem perspectivas para o ano. “A ideia é discutir gestão, tecnologia, gestão de pessoas, a importância de formar mão de obra qualificada”, explicou Fiates, que coordenou um painel de marketing. “É um desafio para Santa Catarina e para o Brasil, criar marcas fortes, poderosas, que tenham maior valor agregado no mercado internacional”, completou Fiates.

Evento Fiesc

Evento Fiesc teve como tema: as incertezas geradas pela política tarifária do presidente norte-americano. – Foto: Divulgação/ND

Investimento de bilhões

Primeiro painelista do evento da Fiesc, Alberto Kuba, CEO da WEG, apresentou a história da empresa. Hoje com fábricas em 17 países, a WEG foi fundada em 1961, em Jaraguá do Sul, e no momento é a quinta maior empresa brasileira em valor de mercado listada na Bolsa de Valores.

A empresa comercializa equipamentos eletroeletrônicos, atuando no setor de bens de capital com foco em motores, redutores e acionamentos elétricos, geradores e transformadores de energia, produtos e sistemas para eletrificação, automação e digitalização. A companhia possui mais de 47 mil colaboradores e, em 2024, atingiu faturamento líquido de R$ 38 bilhões, 57% das vendas fora do Brasil.

Conforme o CEO, mesmo com todos os desafios geopolíticos atuais, a WEG vai investir, este ano, R$ 2,6 bilhões, a maior parte no Brasil. Mantendo a política de crescimento contínuo, esse montante vem crescendo ano após ano. Em 2024, investiu R$ 1,8 bilhão, sendo R$ 1,1 bilhão no Brasil. Em 2022, R$ 1,6 bilhão, sendo R$ 1 bilhão no Brasil.

WEG

WEG tem fábricas em 17 países; CEO foi painelista no evento da Fiesc – Foto: WEG/Divulgação/ND

Sobre as tarifas de Trump, Kuba disse que toda grande disrupção gera oportunidades. “Santa Catarina é um polo industrial importante para o Brasil, com várias empresas líderes em seus segmentos e, numa reorganização geopolítica, com o mundo se reestruturando, por que não o Brasil e Santa Catarina se tornarem grandes referências em novos segmentos e produtos”, indagou o executivo.

Kuba disse também que não criticou a política tarifária de Trump e que só será possível saber se será boa ou ruim lá na frente. “Precisamos ter sabedoria de reestruturar nossas operações dado esse novo contexto, esse é o ponto. Sempre existiram momentos desafiadores. Sustentabilidade não é um dia fazer exercício, é se exercitar continuamente, para no longo prazo criar algo duradouro”, defendeu o CEO da WEG.

Duas Rodas vai investir nos EUA

Presidente do conselho de administração da Duas Rodas, Leonardo Zipf também palestrou no evento da Fiesc. Ele falou sobre os 100 anos de história da empresa, apresentando as diferentes fases do negócio, desde a fundação. Empresa de aromas para alimentos, a Duas Rodas opera em oito países. Em 2020, atingiu o marco de R$ 1 bilhão em faturamento e a estimativa para este ano é de R$ 2,2 bilhões. “O Radar é uma excelente oportunidade para toda a classe empresarial fazer uma boa reciclagem das tendências da gestão corporativa. É um evento que prestigiamos sempre”, disse sobre o evento da Fiesc.

Em entrevista, Zipf destacou que a guerra comercial de Trump implica numa situação bastante crítica para todos os países. “Temos fábrica no Chile, México, Colômbia, Polônia, Alemanha e Brasil. O processo de internacionalização que estamos desenvolvendo nos dá um pouco mais de flexibilidade para enfrentar esse movimento, mas é sempre complicado”, destacou o Zipf.

Duas Rodas

Unidades produtivas do parque fabril da Duas Rodas – Foto: Duas Rodas/Divulgação/ND

Às vésperas de passar o comando da empresa, Zipf destacou que a Duas Rodas está iniciando uma empresa do zero lá nos Estados Unidos, como forma de responder às tarifas. “O mercado americano é de muitas oportunidades. Estamos concluindo uma negociação com os EUA, pelo Brasil, em que o mercado americano pode representar quase 18% do nosso faturamento”, afirmou Zipf.

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