
Campeã de falhas é a Linha 9-Esmeralda: foram 68 em 2023, 58 em 2024 e sete em 2025, o que representa 66,5% das falhas da ViaMobilidade no período. Empresa afirmou que opera sob regras rigorosas de desempenho e que índice de satisfação do usuário melhorou. Leilão de concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade deve acontecer nesta sexta. Trem da CPTM
Reprodução/CPTM
As duas linhas de trem operadas pela concessionária ViaMobilidade (8-Diamante e 9-Esmeralda) apresentaram quase o dobro de falhas do que as registradas em quatro linhas da CPTM (7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral e 12-Safira) nos últimos três anos, mostra um levantamento feito pela TV Globo e pelo g1 (confira tabela abaixo).
Entre as falhas, há problemas elétricos, na rede aérea, nos trilhos e de sinalização. As linhas foram concedidas à iniciativa privada em 27 de janeiro de 2022.
Sob gestão da iniciativa privada, as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda tiveram 200 falhas entre 2023 e março de 2025:
2023: 95 falhas
2024: 86 falhas
2025 (até março): 19 falhas
No mesmo período, foram contabilizadas 102 falhas em quatro linhas geridas pela Companhia Paulista:
2023: 44 falhas
2024: 48 falhas
2025 (até março): 10 falhas
A campeã de falhas é a 9-Esmeralda: foram 68 em 2023, 58 em 2024 e sete em 2025, o que representa 66,5% das falhas da ViaMobilidade no período.
A linha, que liga Osasco até o extremo Sul da capital paulista, tem 21 estações, transporta cerca de 450 mil pessoas por dia e faz ligação com importantes e movimentadas linhas, como a 4 Linha 4-Amarela (em Pinheiros) e a 5-Lilás (em Santo Amaro).
Em outubro de 2023, uma pane elétrica gerou mais de 27 horas de falhas na linha Esmeralda. O problema começou às 14h de uma terça-feira e só foi corrigido às 17h22 do dia seguinte. Nesse período, os passageiros passaram sufoco e foram atendidos por 70 ônibus do PAESE.
Na CPTM, a linha que mais apresenta falha é a Safira: 16 em 2023, 16 em 2024 e seis em 2025, o que representa 37,2% das falhas. São estações que ligam o Brás, no Centro, ao extremo Leste e recebe cerca de 260 mil passageiros diariamente.
Essa é uma das linhas da CPTM que deve ser concedida à iniciativa privada em breve.
Segundo o levantamento, em 2021, antes da concessão à ViaMobilidade, as linhas tiveram menos falhas do que em 2022.
Maioria das falhas registradas na Linha 9-Esmeralda em 2022 aconteceu após concessão à iniciativa privada
Em nota, a ViaMobilidade afirmou que opera sob regras rigorosas de desempenho e que índice de satisfação do usuário melhorou no último ano.
“A ViaMobilidade Linhas 8 e 9 é a primeira operadora privada a administrar uma concessão de trens metropolitanos em São Paulo, sob regras rigorosas de desempenho e transparência definidas em contrato — diferentemente das operadoras estatais.
A percepção dos passageiros também evolui. No último semestre, houve aumento na satisfação geral: 13 pontos na Linha 9-Esmeralda e 12,3 na Linha 8-Diamante, com melhorias em rapidez, confiabilidade e segurança operacional.
Desde o início da concessão, a empresa já investiu mais de R$ 4 bilhões na modernização das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. Entre os avanços, destacam-se 36 novos trens, a substituição de mais de 30 km de trilhos, a revisão de 120 km de via permanente, a eliminação de restrições de velocidade e a construção de um novo Centro de Controle Operacional e de uma Oficina de Truques”, diz nota.
Falhas: ViaMobilidade x CPTM
Os dados fazem parte de um banco de dados feito a partir da apuração diária da produção da TV Globo.
Nesta sexta-feira (28), o grupo CCR, que inclui a ViaMobilidade, e o Grupo Comporte Participações S.A vão disputar em leilão as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. A concessão de 25 anos prevê R$ 14,3 bilhões de investimentos.
O governo paulista afirma que vencerá o grupo que oferecer o maior desconto sobre as contraprestações que o Estado deverá pagar ao concessionário, cujo montante máximo foi calculado em até R$ 1,49 bilhão ao ano. Além disso, está previsto o pagamento de um aporte público para viabilizar as obras de melhoria das três linhas com valor estimado em R$ 10 bilhões.
Com a possibilidade de a ViaMobilidade levar o chamado Lote Alto Tietê, o g1 conversou com Augusto Almudin, diretor da Companhia Paulista de Parcerias (CPP). Ele explicou o que essa nova concessão deve ter de diferente para que a operação não seja semelhante à da concessionária nas linhas 8 e 9, marcada por excesso de falhas e questionamentos na Justiça.
“A gente vem aprimorando a regulação dos contratos ao longo de todo o plano de concessão de mobilidade sobre trilhos no estado de SP. Desde os contratos das linhas 8 e 9, que é da gestão anterior, a gente vem aprimorando. Para esse projeto, a gente aprimorou ainda mais o regramento da fase de transição estabelecido no contrato, que é de 2 anos”, afirmou.
Almudin disse que ainda há previsão de treinamentos por parte da CPTM e um programa de investimentos para requalificar e melhorar os serviços nas três linhas.
“O contrato como um todo também foi melhorado e explicitado. As obrigações estão mais claras, com uma matriz de risco melhor distribuída entre as partes. Melhoramos os anexos e esperamos que essa melhoria acumulada dos contratos permitam uma fase de transição melhor entre esses ativos centenárias que hoje são operados pela CPTM”, garantiu.
A concessão das linhas para iniciativa privada foi alvo de uma ameaça de greve de trabalhadores da companhia nesta quarta-feira (26), que não se concretizou.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante o leilão do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, que vai ligar a cidade de São Paulo à Campinas, realizado na sede da B3, bolsa de valores de São Paulo, nesta quinta-feira (29).
BRUNO ESCOLASTICO/E.FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Quem são as concorrentes
ViaMobilidade assina acordo com Ministério Público Estadual para antecipar investimentos nas linhas 8 e 9
Com a entrega dos envelopes com as propostas para administrar as três linhas principais da CPTM, CCR e Grupo Comporte disputarão na B3 quem oferece o melhor preço pela concessão das linhas.
O Grupo CCR já opera quatro linhas de trens e metrô do governo de São Paulo na capital paulista. Além das Linhas 4-Amarela e 5-Lilás do Metrô, desde janeiro de 2022 assumiu também a gestão das linhas 9-Esmeralda e 8-Diamante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
O objetivo da concessão das linhas era melhorar a qualidade do serviço oferecido aos passageiros. Mas a empresa enfrentou diversos problemas e falhas ao longo dos últimos três anos de operação, que foram alvo de investigação no Ministério Público de São Paulo.
Para não ser processada, a ViaMobilidade assinou em agosto de 2023 um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) onde a concessionária se comprometeu a recompensar os passageiros em quase R$ 800 milhões pelas constantes falhas na operação das duas linhas de trens que já opera.
As constantes falhas no início do oferecimento dos serviços também renderem à empresa do grupo CCR Mobilidade mais de R$ 40 milhões em multas aplicadas pelo governo paulista.
Infrações contratuais da Viamobilidade acumulam milhões em multas
Já o Grupo Comporte é administrado pela família do empresário Nenê Constantino, um dos principais nomes no ramo de transporte do Brasil e fundador da empresa Gol Linhas Aéreas.
A empresa administra atualmente o metrô de Belo Horizonte (MG) e, em fevereiro do ano passado, se juntou à empresa chinesa China Railway Construction Corporation (CRCC) no ‘Consórcio C2 Mobilidade Sobre Trilhos’.
O consórcio venceu o leilão do Trem Intercidades (TIC) para construção da linha de trem que deve ligar as cidades de São Paulo e Campinas, prometendo investimentos de R$ 14,2 bilhões na obra e tarifa de R$ 64 no serviço. A empresa também vai administrar a linha 7-Rubi da CPTM.
A Comporte Participações S.A. – que participará do leilão da CPTM – é uma holding que também controla várias empresas de ônibus no estado de São Paulo, como a Viação Piracicabana, Expresso de Prata, Expresso Itamarati e Viação Luwasa, por exemplo.
A companhia opera atualmente o VLT entre as cidades de Santos e São Vicente, no litoral Sul de São Paulo, através da subsidiária BR Mobilidade, além de ser dona de aplicativos de vendas de passagens de ônibus como Mobifácil e 4Bus.
Raio-x das linhas da CPTM que serão leiloadas
Arte/g1
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